25 junho 2016

Mulher, você não é livre

Tem algo que me incomoda demais no discurso de uma grande maioria esmagadora de feministas. Ah, o feminismo como todo grande movimento/ causa social não é homogêneo, você consegue perceber isso, né? Não estou aqui desmerecendo o movimento das mulheres porque eu acredito, apoio e faço parte dele. Estou criticando um dos pensamentos em pauta.
A ideia tão largamente reproduzida que me incomoda é:
 "a mulher é livre, ela pode dar em cima de quem ela quiser, ela NÃO DEVE RESPEITO."
Será mesmo? Vamos refletir sobre o sentido disso em um movimento feminino. Antes só preciso ressaltar que esse texto não é pra livrar homens de responsabilidades ou consequências. O mínimo que ele deve fazer ao estar em um relacionamento é respeitar esse relacionamento, respeitar o esforço do outro pra manter esse vínculo. É o mínimo. Se ele não consegue ter respeito a culpa é dele sim.
Esclarecido isso vamos voltar ao problema da liberdade de dar em cima de quem quiser. Vocês conseguem entender o quanto isso pode ser destrutivo pra outra mulher? Que você está ferindo uma mana sua quando você decide espontaneamente dar em cima de um homem que você sabe previamente que é casado?
Vejam bem que esse texto é cheio de ressalvas. E aqui vai outra. Estou falando de um caso em que a mulher conheceu um carinha, que ia cheio de amorzinho nela, nunca se estabeleceu como compromissado e fora da possibilidade de um novo relacionamento? Não, não estou. Compreendido? Ok.

 Estou criticando o que então? O fato de você mulher achar que tem o direito e liberdade de ir atrás de um outro compromissado e pouco se foder pra esposa/noiva/namorada que você SABE que o cara tem. Isso é um problemão e se você não entende o porquê vou te explicar o que aconteceu comigo essa semana.
Conheci um cara que parecia ser um amigo muito legal, gente fina. Até que ele deu em cima de mim. E eu lembrei "você tem namorada, nós somos apenas amigos". E ele me justificou "mas meu sonho é ficar com uma loirinha de cabelo liso pra segurar". A namorada dele é negra, tem um cabelo maravilhoso não aceito pela sociedade e nem por seu próprio parceiro. O simples fato de eu ter cabelo lisinho era suficiente pra ele desonrar o compromisso dele com a mulher. O simples fato de eu acreditar que EU SOU LIVRE, que eu posso bater no peito e gritar "EU POSSO FICAR COM QUEM EU QUISER, EU NÃO DEVO RESPEITO, QUEM DEVE É ELE" machucaria outra mulher. E mais! Eu estou contribuindo pro racismo, pra solidão da mulher negra, já tão menosprezada. Eu poderia, com minha liberdade branca e oxigenada fazer com que uma mulher se olhasse no espelho e se sentisse um lixo somente por ser quem é.
Isso é feminismo? Isso é todas por uma? Nós DEVEMOS RESPEITO entre nós. Porque eles não nos respeitam não. Eles nos trocaria por uma branca, por uma magra, por uma mais nova, por qualquer uma. Nós só temos a nós mesmas.
E você, amiga, não é livre enquanto fizer outra mulher de otária.
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02 maio 2016

Como cuidar de cabelos longos e finos


Oi, gente, esse post é complementar ao vídeo "como cuidar de cabelos longos" que liberei lá no canal domingo! 

1. Shampoo só na raiz!

Aplique shampoo somente no couro cabeludo e massageie suavamente com as mãos, a espuma que cair para o comprimento já é o suficiente pra lavar ali! Não tem necessidade de abrir as cutículas de toda a extensão do fio!

2. Muita hidratação no comprimento! 

Separe mechas no seu cabelo e passe sua máscara de hidratação somente no comprimento. O movimento de enluvar aumenta a absorção do creme!

3. Desembaraçe seu cabelo no banho!

Comece pelas pontas, tirando os nozinhos as poucos, começando pelos os que estão na ponta, subindo até tirar os nós na raiz!
 

4. Prefira pentes de madeira e com dentes largos!

Pentes de madeira são antiestáticos, isso quer dizer que ele não vai aumentar o frizz do seu cabelo. Não é um cuidado único suficiente para diminuir o frizz, mas ele não deixa o cabelo frizado, como um pente de plástico deixaria. Pessoalmente também percebi maior facilidade de desembaraçar meus fios com esse tipo de material.
 
O pente que mais gosto é essa da marca mascardi. Comprei o meu pelo mercado livre. Ele tem um cheiro INCRÍVEL de rosas, que dura por anos. E o mais importante: foi o pente que mais facilitou desembaraçar meu cabelo, que embola MUITO.

5. Não durma com o cabelo embolado!

Simplesmente porque vira uma bola de neve e a cada dia que passa mais nós se acumulam e você só vai conseguir desembaraçar no banho e mesmo assim vai agredir mais os fios! Evite deixar seu cabelo cheio de nós!

De noite eu gosto de usar essa escovinha da tangle teezer porque ela vai uma massagem bem gostosa no couro cabeludo. Existem imitações mais baratinhas e até mesmo a boticário já lançou a opção nacional. Eu não gosto de desembolar meu cabelo com ela, eu desembolo meus fios de manhã com o pente de madeira mesmo. Só na hora de dormir que uso!

6. Use água fria nos cabelos e evite calor de secador!

Essa dica é básica, mas vale sempre a pena mencionar! Suas madeixas agradecem :)



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07 abril 2016

NÃO ME ENSINE A SUA GRATIDÃO!

NÃO ME ENSINE A SUA GRATIDÃO

Eu estou exausta dessas mulheres. Elas têm um perfil bem característico. Brancas, ricas, magras, cuidam do cabelo no salão e por todos esses privilégios sofrem muito menos assédio e muito provavelmente nunca foram violentadas.

Não cresceram em bairros pobres, não estudaram em escolas públicas, não foram abusadas por parentes. Não conhecem nada da realidade de mulheres do mundo fora do delas. Mas se sentem na obrigação de falar por nós. E de nos ensinar. Nos ensinar a tal da gratidão.

Esse texto não é contra o sentimento de ser grato à vida, à comida, aos seus Deuses ou seja lá o que você sente vontade de agradecer por ter. O problema é achar que nos conhece e que temos que aprender essa filosofia como se sentimentos não fossem algo inato que qualquer um pode desenvolver. É como se elas tivessem acima, possuíssem uma compreensão superior do que é a vida. São os espíritos elevados da alta sociedade, que fazem o favor de descer até as faveladas par ensinar a pedir mais amor, por favor.

Daí elas começam a ensinar as vítimas de estupro a não verbalizarem sua dor, a não compartilhar seu sofrimento a fim de construir um possível desfecho pra mancha que é ser marcada com um estupro. Vocês tem noção de como fica o psicológico de uma mulher ou de uma criança nessa situação? Vocês sabem quantos anos é possível viver sem coragem de contar, sendo acusada de ter pedido, de ter provocado, de ter inventado?

Você acha que não se sabe dar valor à vida? Mulheres pobres, negras, trans sofrem todo o tipo de perturbação social que se pode imaginar por conta de suas experiências de vida. E uma perturbação é você. Aí de cima do seu prédio, com segurança, com educação, com saúde gritando aqui pra baixo suas palavras vazias.

Baixa um pouco sua bola. Ouça as outras. Tem certeza que é você que tem muito que ensinar? Você que sempre teve oportunidade de estudo garantida, proteção dos seus pais, a melhor comida, os lazeres mais legais. E tudo que faltava na sua vida era ser grato. Aí você aprendeu. E acha que todas vivem só esse problemazinho? Você quer aplicar a solução que faltava pra sua vidinha boa e enfiar goela abaixo de mulher que tem três empregos, nem dorme, pra sustentar a família? De crianças molestadas nunca ouvidas, que cresceram sem nenhum espaço e que quando tentam falar são caladas por sua “sabedoria”? Ou de negras vítimas de um racismo duro que as exclui todos os dias? Todos esses exemplos são reais, conheço de perto, você não imagina o quanto. Estamos todas vivas, sabemos sorrir, sabemos amar e mais que tudo, somos gratas sim. Aprendemos tudo isso mesmo com todos os nossos problemas e não foi aos 25 anos de idade, após a faculdade que o pai pagou não. Foi levando porrada mesmo. E não precisamos de você e não queremos você falando por nós. Passar bem.


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03 abril 2016

Resenha literária: Tudo e todas as coisas de Nicola Yoon


Olá! Hoje quero falar deste lançamento da editora Novo Conceito que eu li em apenas um dia!


Tudo e todas as coisas
Nicola Yoon
ISBN:
9788581637884
Ano:
2016
Páginas:
304
Tradução:
Amanda Orlando
Ilustração:
David Yoon
Editora: Novo Conceito
Nota:


"Minha doença é tão rara quanto famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Qualquer coisa pode desencadear uma série de alergias. Não saio de casa. Nunca saí em toda minha vida. As únicas pessoas que já vi foram minha mãe e minha enfermeira, Carla. Eu estava acostumada com minha vida até o dia que ele chegou. Olho pela minha janela para o caminhão de mudança, e então o vejo. Ele é alto, magro e está vestindo preto da cabeça aos pés. Seus olhos são de um azul como o oceano. Ele me pega olhando-o e me encara. Olho de volta. Descubro que seu nome é Olly. Talvez eu não possa prever o futuro, mas posso prever algumas coisas. Por exemplo, estou certa de que vou me apaixonar por Olly. E é quase certo que será um desastre."
   
Tudo e todas as coisas é narrado pela personagem principal Madeline, uma menina de 17 anos aprisionada em seu quarto graças a uma doença que ela explica como "síndrome da criança da bolha". Alérgica ao mundo lá fora, a menina passa os seus dias num quarto branco sob os cuidados da enfermeira Carla e sua mãe médica. As únicas cores em sua vida vem de seus livros. Uma rotina pacata até que os vizinhos novos se mudam para casa ao lado. É a partir da chegada de Olly que a vida de Madeline se desenvolve. Ela se entrega à sentimentos que jamais poderia imaginar sentir, afinal é uma menina doente que não pode sequer pisar na grama do quintal. 


O livro possui três pontos principais na trama: a doença da personagem, o romance entre dois jovens inexperientes e relação parental. Por isso eu digo que é uma história que parece destinado ao público infanto-juvenil. Os adolescentes geralmente vivem muitas limitações dentro da relação hierárquica pai/mãe - filho/filha. A mãe de Madeline é um exemplo de mãe extremamente preocupada e cautelosa, então a relação delas é muito delicada. Existe o desejo adolescente de ser livre e a proteção materna. É um conflito que muitos leitores podem se identificar.

A partir disso preciso deixar uma coisa clara. O livro é classificado como drama, porém não é nada nível Charles Dickens. É bem leve na verdade. Também achei o livro com um desfecho um pouco fantástico. E quando digo fantástico não me refiro à distopias, dragões, bruxos rs. Quero dizer que acontecem coisas tão mirabolantes que definitivamente não são aplicáveis na vida real.  São exatamente ideias de adolescentes, resoluções que eles encontrariam pra vida. Por esse motivo eu avaliei em apenas 4 estrelas.

Sobre o meu desgosto com o final não se prendam tanto à isso porque é uma dificuldade totalmente pessoal. Talvez eu não seja uma pessoa tão otimista assim e o livro me tirou da zona de conforto que é finais como àqueles em "a menina que roubava livros". A crítica no verso do livro é ótima, observem:


"Esta história comovente transcende o comum, explorando a esperança, os sonhos e os riscos inerentes ao amor em todas as suas formas." (Kirkus Reviews)

Enfim, é um livro com uma história bem bonita, tem o potencial de nos fazer refletir sobre as relações que estamos inseridos e isso é sempre muito positivo. Eu realmente recomendo o livro. Porém, se você assim como eu está engolido por aquela vida adulta de soluções e experiências não surpreendentes, pode ser um certo choque. O que também vejo como uma experiência muito válida a se sofrer! rs Por que perdemos nossa capacidade se sonhar com o que parece impossível? Por que chega um momento na vida adulta em que aceitamos nossas condições e vivemos de acordo com tudo que foi pré estabelecido? São perguntas que o livro me deixou. Espero que tragam questionamentos pra vocês também!

p.s.: Não deixem de conferir o vídeo resenha do canal!
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Mandy Francesa
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